Para contactar ligue: .
(0049) 160 97372982

Conheça melhor as vozes e os músicos que abrilhantaram a 23.ª Noite de Fado dos Lusitanos de Paderborn.

À conversa com... Artur Domingues, Joana Veiga, Filipa Sousa, Ivo Guedes, Bruno Costa e Jorge Carreiro

No final da Noite de Fados realizada na Kulturwerkstatt pelos Lusitanos de Paderborn e.V., uma noite singular não só pela alterância entre as atuações de Joana Veiga e Filipa Sousa, mas também pelas suas interpretações conjuntas de diversos fados com as suas vozes que tão harmoniosamente combinaram, tivemos a oportunidade, de dialogar com Artur Domingues e com as fadistas e os músicos Ivo Guedes, Bruno Costa e Jorge Carreiro, que pintaram o palco de verde e vermelho e permitiram matar um pouco a saudade de Portugal.

Filipa Sousa, que foi mãe recentemente, tem 29 anos de idade, é de Albufeira e ainda reside no Algarve. Ficou conhecida em Portugal por ter participado na Operação Triunfo e por ter representado Portugal no Festival Eurovisão da Canção no ano de 2012. É cantora e interpreta vários estilos musicais, fazendo parte de diversos projetos. Revelou-nos que, apesar de já cantar desde pequenina, começou a cantar o fado com 16 anos, tendo experimentado por brincadeira por lhe terem lançado um desafio para cantar num concurso de fado. Com um sorriso e brilho nos olhos Filipa Sousa contou que o seu pai de certo modo a “picou” e a alertou para o facto de que não é qualquer um que canta fado. Filipa na altura disse-lhe que podia nunca mais voltar a cantar, mas que pelo menos iria experimentar, e, como correu bem, nunca mais parou de cantar, tendo começado por ficar nos primeiros lugares em concursos no ano seguinte. Filipa Sousa confessou-nos que o fado é “este bichinho da música” que a domina apesar de curiosamente não ter mais ninguém com a chamada veia artística na sua família. Esta grandiosa jovem fadista tem feito muitas atuações fora de Portugal e afirma que é sempre muito gratificante poder cantar o fado fora de Portugal uma vez que o público ainda a recebe de forma mais acolhedora talvez pela saudade que sente de Portugal. Filipa Sousa sente orgulho por poder divulgar um pouco da cultura portuguesa através da sua interpretação do fado.

Joana Veiga, de 24 anos de idade, nasceu em Lisboa e reside na margem sul do Tejo. No entanto, a sua vida passa essencialmente por Lisboa, tendo 3 áreas distintas: o fado, a sua profissão de bancária durante o dia, bem como o mestrado em Gestão de Recursos Humanos que está a tirar. Joana confessou-nos que a música começou muito cedo na sua vida, pois com 2 e 3 anos de idade já cantava em casamentos e batizados e aos 8 anos começou a cantar para o público em coletividades, bem como a participar em concursos de fado e em alguns festivais da canção até aos 15 anos. Revelou-nos que sempre ouviu muita música e que os seus pais sempre ouviram muito fado em casa, daí ter nascido o seu gosto pelo fado. Foi aos 17 anos que começou a cantar em casas de fado profissionais de Lisboa, estando neste momento em duas casas de fado Lisboetas, a “Adega Machado” e a “Parreirrinha de Alfama”. Quando tem um convite para vir cantar ao estrangeiro, Joana Veiga salientou que existem emoções diferentes decorrentes de duas situações no que concerne o público-alvo para quem canta: por um lado para a comunidade portuguesa residente no estrangeiro, por outro lado para os nativos do país em que canta. Assim, partilhou connosco que quando canta para a comunidade portuguesa sente verdadeiramente um grande acolhimento das pessoas que a recebem sempre da melhor maneira e fazem tudo para que se sinta bem, considerando ser deveras gratificante cantar tanto para as comunidades portuguesas como para pessoas que não percebem a língua portuguesa, por existir uma magia muito especial, uma vez que muitas vezes acontece o público estrangeiro confessar no final dos espetáculos que se sentiu emocionado apesar de não compreender uma única palavra de português, conseguindo compreender a mensagem, o sentimento que se transmite ao cantar o fado. Com um brilhozinho nos olhos, terminou dizendo que é sempre um enorme prazer cantar para as comunidades portuguesas.

Ivo Guedes revelou que nasceu em Paranhos, no Porto em 1980, tendo vivido 10 anos na costa alentejana uma vez que os seus pais emigraram para Itália em 1990, onde viveram apenas 1 ano, tendo posteriormente emigrado para a Alemanha, país onde ainda vive. Confessou que não gostava de fado quando foi desafiado por um amigo para tocar ao som do fado, numa altura em que tocava numa banda portuguesa, Os Conquistadores de Unna. No entanto, como afirmou com muita expressividade nos olhos, foi assim que apanhou o gosto pelo fado e o amor pela guitarra portuguesa. Revelou ainda que para além de ser músico é técnico de instalação de gás e água, profissão que aprendeu, sendo a música a sua grande paixão e o seu segundo ofício, que gostaria muito que viesse a ser o seu ofício principal.

Bruno Costa de 32 anos de idade é lisboeta, “alfacinha de gema” como ele próprio afirmou, tendo feito todo o seu percurso de vida em Lisboa. O seu instrumento musical é a viola de fado, que toca para acompanhar o fado desde 2004. Atualmente é proprietário da “Parreirrinha de Alfama”, que é a casa de fados mais antiga de Alfama. Bruno Costa estava deveras feliz por ter vindo a Paderborn e por ter podido tocar para a comunidade portuguesa, facto que já se tinha verificado há 2 anos quando acompanhou a fadista Ana Laíns.

Jorge Carreiro, nasceu em Lisboa e reside presentemente na Costa da Caparica. É contrabaixista e baixista. Há muitos anos que é músico profissional, tendo inicialmente sido músico de orquestra e dado aulas de música, dedica-se ao fado há cerca de 15 anos. Neste momento está a trabalhar na casa de fados “Café Luso” no Bairro Alto, que considera ser uma catedral do fado no bairro alto. Jorge Carreiro, que no ano passado acompanhou a fadista Teresa Tapadas, tem sempre um enorme prazer em tocar para a comunidade portuguesa que tão bem o recebe em Paderborn, salientou ainda o empenho do Sr. Artur Domingues, bem como a sua dedicação para com a comunidade portuguesa.

Por fim, Artur Domingues confessou que no início da noite de ontem sentiu um misto de uma determinada nostalgia, por se ter despedido de Manuel Correia da Silva e de uma determinada ansiedade antes das interpretações das grandiosas fadistas Filipa Sousa e Joana Veiga, que, na sua opinião e na opinião do público presente mais uma vez ultrapassaram todas as expectativas. Salientou que a realização desta Noite de Fado não seria possível sem a grandiosa equipa dos Lusitanos de Paderborn e.V, cerca de 20 pessoas, que são incansáveis no que diz respeito a todos os preparativos e dinamização deste evento e que permitem que o mesmo corra mesmo muito bem, não contando com os mais pequenos que também já querem ajudar. Artur Domingues não pode deixar de elogiar todo o público presente na Kulturwerkstatt que se transformou numa verdadeira “casa portuguesa”, público este que mais uma vez confiou nesta iniciativa dos Lusitanos de Paderborn e.V, tendo efetuado reservas antecipadas dos seus lugares sem saber quais eram as fadistas que iriam atuar, facto que também já se verificou na noite passada, em que já foram efetuadas reservas para a próxima Noite de Fado, a realizar a 21 de novembro de 2015, altura em que irão estar em palco 4 vozes e 3 músicos cujos nomes ainda não foram revelados.

[Redação Correio Luso]

Noch keine Kommentare bis jetzt

Einen Kommentar schreiben

*